domingo, 20 de fevereiro de 2011

Mapas

Fui longe
Andei a caçar entendimento
Anotando e apagando
as impressões do estranhamento
Escrevi os mapas em minha pele
E caminhei
porque era preciso caminhar
Me vi entre os montes
Encontrei meu sendero luminoso
e a revolução se fez em mim
Rasguei meus mapas
Rasguei-me sem saber
Pensei haver chegado
naquele lado esperado
De longe, vi-me Bahia
toda Ela, toda Sol
Percebi-me ritmo, riso, pulso
Percebi-me longe e só
Meu sendero deixou de iluminar
E o vento que às vezes sopra do sul
vem me contar em silêncio
coisas da minha gente
coisas de mim
Já não posso ficar
Que me perdoem os Andes
mas o Mar
sempre será meu Lar
Reabro-me em mapas
Bússula ao punho
Meu olhar te busca,
Direção

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Do porquê de ser antropóloga

Sou antropóloga por profissão e paixão. Gosto de olhar o mundo e registrar minhas impressões sobre o estranho. Me tira o fôlego estar no meio do povo, ver as cores, sentir o cheiro, ouvir a música e sentir os sabores de tudo aquilo que não conheço, mas, principalmente, tenho especial atenção em registrar na minha alma as mudanças que o estranho opera em mim. E se a ciência me oferece uma forma de olhar, a poesia me conecta ao mundo. Poesia é sentir! Assim e sem mais, escolhi como profissão sentir o mundo...

Meu menino

derretido vento de menino que sopra sopro leve devagar... menino que cresce aos olhos cegos meus que não te vêem mas te acompanham sem parar... menino de olhar de maresia, cabelo escorrido pela testa, ombrinhos arqueados das vidas que trás em si... menino meu, onde andará?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Coração exilado

meu coração
ser de pulso buscante

náufrago

meu coração de caminhos errantes
traz talhada sua identidade

meu coração
vive longe

em terra de um amor só
é possível levantar moradia?

meu coração
eternamente ligado às raízes dos meus amores

exilado

terça-feira, 30 de novembro de 2010

você não me precisa: eu te vivo
você não me espera: eu te conto
você não me desvenda: eu te seco
você não me chega: eu te ansio
você não me procura: eu te mostro
você não me fala: eu ouvidos
você não me toca: eu pele
você não me beija: eu língua
você não me ama? eu te espero
.
.
.
até quando?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O oculto em mim

Escrever me expande para além da possibilidade de mim mesma.
Leva-me a espaços desconhecidos em mim. Depois que leio o
que escrevo, aquelas palavras já não são minhas, senão de
uma entidade desconhecida, mas que me habita. Esse movimento
de expansão do ser é o oculto que me passa desapercebido. E
é justamente essa esfera inalcançável de mim que eu preciso
buscar e encontrar.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Maya

eu sou aquele erro borrado, apagado, manchado e nunca

esquecido... eu sou o velho, o renovado, o constante nas

incostâncias constantes... eu sou o covarde vestido de

coragem... eu sou o que bem sei e esqueço e, ainda, aquilo

que inventei de aferroar na minha idéia de mente... maya?

bem que poderia ser...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

pôr do sol

por do sol ruidosamente vermelho, nada além de um assombro. era ele tão desesperado que se fazia meu

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Rosa

rosa
voava
asa
posta
gastava
andava
e
ainda
gostava
do
seu
cheiro
descrito
em
prosa
mas
que
passou
com
a
rosa
ao
saber
que
ninguém
dela
gosta?
correria para brincar nas suas núvens e, em três tempos,

pre
ci
pi
to
-me toda

sábado, 12 de setembro de 2009

Ele faz de mim

ele faz de mim
frágil
[para assim ser

ele faz de mim
um i r - m e soturno
[e eu me desando nas graças de nossas melodias noturnas

ele faz de mim
asas
[para pintar-me mariposa de vôo escuro

ele faz de mim
altar dele
[e me desespera com a altura do pedestal

ele faz de mim
ponteiros seus
[e me ensina que sua alma não conhece relógio

ele faz de mim
Sua
[e eu confesso deixar-me ser...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Porque era setembro

porque era setembro e seu estômago não cabia em si... porque
era setembro e a casa se arrumava, mas seu estômago a
mandava para outras direções... porque era setembro, e os
tantos outros setembros dele comiam o que ainda havia de
vontade dentro dela... porque era setembro e setembro traz o
vento frio de anúncio de outono e o vento manda voar...
porque era setembro, ela pensava em se ir e curar sua
úlcera...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

cadê as letras grandes?

ao contrário, enfeitava-se dela mesmo. se recriava por fora para viver o que havia por dentro. menina voada em sonhos, repintou o seu pesadelo. viveu-o até exauri-lo, até expulsa-lo legalmente de si. a menina que não sabia usar letras maíusculas.

sábado, 29 de agosto de 2009

Lembranças de África


eles voavam sim e faziam meus sonhos voarem com eles

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

um suspiro
muita história
É que de súbito, o estranhamento me toma... Estranho o leito em que durmo, a luz que ilumina meu quarto, as roupas que visto, o frio no meu rosto, o dia de amanhã, os dias de ontem, o amor que a vida me regala, o brilho nos meu olhos, o espelho, as linhas no meu rosto, o meu cabelo, ser uma, ser só, ser dois, ser muitas, viver-te, devorar-te, ser devorada, meus sonhos, meus pensamentos, minha alma...

Crio-me, recrio-me, sou toda eu, sou toda amor, sou toda saudade e de tanto ser, sinto-me nada... Sinto-me em meio a um furacão de poeiras de brilhos e, em busca de abrigo, acabo por entrar no meu túnel de desentendimento... Sinto-me interrogação, toda ela, toda surpresa... E no meio disso tudo, deixo as reticências para o nosso amor que chegou sem mandar aviso nem pedir licença...

Pensando-te, conhecendo-te, vivendo-te, criando-te... Desguto o seu cheiro que toma meu estômago e aí promove um sopro de ares de menta, degusto sua pele na minha língua e fecho os olhos para sonhar seus detalhes, degusto o seu amor que me acalma os dias e me traz à alma um sol de verão da Bahia...

Que as reticências sejam o devir deslumbrante do nosso amor sentido e cuidado e assim possamos ensinar ao mundo como amar...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

e esse amor me faz ser de novo caranguejo...
e pela minha angústia por provas, deito-me sem saída na alvorada de minha inexatidão
e olho para mim com olhar de compaixão... que me sequem as auto-interrogações que me corroem, venham a mim as exclamações, as reticências... Questionar também é sofrer... Se questionar é sofrer duas vezes...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Pelas retinas dele
me faço brincadeira
E fico assim até descançar
a minha alma brincante
no abrigo cristalino
do seu jardim de sonhos

sábado, 27 de dezembro de 2008

Bebo o presente contigo
suspiro em compassos de futuro
e entendo que a primeira vez que te vi
foi há algumas vidas atrás